Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Até outubro deste ano, jamais um triatleta negro profissional havia corrido, nadado e pedalado no Ironman de Kona, no Havaí, a meca do triathlon. O responsável por romper essa barreira em uma modalidade considerada elitizada foi o mineiro Thiago Vinhal que, logo em sua primeira participação, garantiu a 13ª colocação ao completar os 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida em 8h27min24s.
De férias em Belo Horizonte, sua cidade-natal, ele conversou com o Ativo.com sobre sua trajetória até Kona, contou situações divertidas de sua vida e explicou sua ascensão no pedal – fator essencial para o bom desempenho no Havaí.
“A experiência de Kona é o ápice de qualquer triatleta. Para mim, não era diferente. Além de realizar o meu sonho, ainda teve isso [conseguir um bom resultado]. Procurei me preparar da melhor maneira possível”, disse. “Não fui para o Ironman porque havia cota racial.”
Quinze anos atrás, as atenções de Vinhal não estavam voltadas para a corrida, o pedal e a natação, mas sim para passarelas e sessões de foto. Antes de se dedicar ao triathlon, ele trabalhou como modelo. Foi uma exigência de uma funcionária da agência onde ele trabalhava que, indiretamente, o levou ao esporte profissional. O mineiro ouviu um pedido para que ficasse mais “rasgado” e, para “secar” ainda mais, passou a fazer aulas de spinning.
Em seguida, se inscreveu por diversão em uma prova de aquathlon em Belo Horizonte e superou concorrentes que já estavam acostumados a participar de competições de triathlon. Ouviu que tinha potencial e resolveu mergulhar de cabeça na modalidade. O passo seguinte foi comunicar sua família que estava envolvido com o triathlon – episódio que rendeu uma confusão de sílabas e uma situação engraçada.
“Na adolescência, eu fiquei meio perdido, sem fazer o que fazer. Quando me falaram que eu tinha que secar mais, comecei a pedalar e correr. E eu já nadava desde os três anos de idade. Só que a família sempre quer que o filho faça o que vai dar dinheiro – medicina, direito, engenharia. Quando disse que passaria a fazer triathlon, eles [familiares] me falaram: ‘O quê? Teatro?’”, conta, rindo.
Vinhal teve ensino de boa qualidade em Belo Horizonte. Formado em educação física, ele fundou em 2008 uma assessoria esportiva de corrida e triathlon na capital mineira, o Grupo Mais. Ele cita dois astros do esporte, o piloto britânico da Fórmula 1 Lewis Hamilton e o golfista americano Tiger Woods, para explicar uma de suas missões no esporte: abrir caminho para outros negros em esportes de elite.
“O triathlon é um esporte elitizado, como a Fórmula 1 e o golfe. O Hamilton e o Tiger Woods surgiram e brilharam. Eu não sou uma pessoa de família pobre. Estudei em colégio bom. Só que a bike é de cultura europeia. E você não vê alguém da raça negra pedalando. Todo mundo bate nessa tecla da diversidade. É legal [ser o primeiro negro a competir em Kona], mas é o desempenho que conta.”
Para assegurar a classificação para Kona, Vinhal seguiu à risca o planejamento traçado pelo técnico dinamarquês Frank Jakobsen, com quem trabalha desde 2015.
“Ele mudou minha vida. Planejou bem o meu futuro. A classificação para Kona foi consequência do treinamento que ele planejou para mim. Sigo o meu treinador de olhos fechados. É um cara com os pés no chão. Ele fez um levantamento dos meus pontos fracos e fortes e comparou com os melhores do mundo”, explica.
Entre os passos para fazer com que o ciclismo deixasse de ser uma fragilidade, estão a compra da “melhor bike do mundo” e a escolha de um lugar que possibilita o desenvolvimento no pedal: a belíssima cidade de Maiorca, no litoral da Espanha. Nos treinamentos na costa espanhola, ele melhorou sua potência sobre a bicicleta e ganhou resistência para se manter em alto nível na maratona, a última das três etapas do Ironman.
Vinhal se espelha na longevidade do triatleta britânico Tim Don para almejar resultados cada vez melhores. Don, de 39 anos, quebrou o recorde mundial do Ironman em Florianópolis em maio. O objetivo do mineiro para os próximos anos é se aproximar ainda mais dos melhores da modalidade, como o alemão Patrick Lange, campeão em Kona.
“Eu acho que dá para chegar [no patamar do Lange]. Antes eu não acreditava que ficaria tão perto dele. Uma coisa é se classificar [para Kona], outra é competir contra caras como ele. Agora eu acho que dá, sim. Acho que consigo chegar nesse nível a médio prazo. Em uns cinco anos, pretendo competir para ficar entre os três melhores do mundo”, afirma.
Abaixo, o teaser do documentário produzido sobre a participação de Vinhal no Ironman de Kona. A produção deve ser lançada em dezembro.
Publicidade
Publicidade
Compartilhar Certificado
Salvar Pdf
Salvar Imagem
Necessary cookies are absolutely essential for the website to function properly. These cookies ensure basic functionalities and security features of the website, anonymously.
Cookie | Duration | Description |
---|---|---|
cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |
Functional cookies help to perform certain functionalities like sharing the content of the website on social media platforms, collect feedbacks, and other third-party features.
Performance cookies are used to understand and analyze the key performance indexes of the website which helps in delivering a better user experience for the visitors.
Analytical cookies are used to understand how visitors interact with the website. These cookies help provide information on metrics the number of visitors, bounce rate, traffic source, etc.
Advertisement cookies are used to provide visitors with relevant ads and marketing campaigns. These cookies track visitors across websites and collect information to provide customized ads.
Other uncategorized cookies are those that are being analyzed and have not been classified into a category as yet.